Com a crescente demanda no uso da Sulfocálcica na citricultura paulista, surgiram dúvidas quanto ao efeito deste produto sobre o ecossistema e a causa de fitotoxidade nos frutos.
Os trabalhos efetuados permitiram levantar e esclarecer as principais razões que podem favorecer a ocorrencia de fitoxicidade na aplicação da calda, assim como mostrar que o produto obtido com a cal virgem + enxofre= calda sulfocálcica é um produto de baixa toxicidade aos inimigos naturais e predadores das pragas chaves dos citros, possuindo maior seletividade que os demais defensivos agricolas.
1. ENXOFRE: EFEITO NO ECOSSISTEMA CITRÍCOLA
A seguir apresentamos um levantamento da literatura especializada, a qual viabiliza o enxofre como produto de baixo a médio efeito sobre o ecossistema, sendo viável portanto o seu emprego comercial.
· Numa(1969) citado por GRAVENA-verificou em laboratório que o enxofre causou baixa a média toxicidade residual ao ácaro predador T. peregrinus.
· NUMA(1969) em aplicações de campo, após 8 aplicações/ano de enxofre ou enxofre+demeton foram mais seletivos(12,9 e 29% de redução de população do predador) que Hostathion e demeton + zineb (71 e 64,5% de redução do ácaro predador T. pregrinus).· SILVA (1980) verificou que o enxofre e o óleo mineral, foram medianamente tóxicos com 55 a 50% de redução a população do ácaro predador (I. quadripilis) do ácaro da ferrugem. Em contrário, o bromopropilato, ethion e carbofenothnion reduziram em 100% a população do fitoseídeo.
· GRAVENA & LARA (1982) relatam que o enxofre não possui toxicidade a ácaros.
· Kobe et ak.(1984), citado por GRAVENA(1990) concluíram que o enxôfre possui moderada a alta mortalidade sobre ácaros predadores e nenhuma mortalidade sobre crisopídeos.
· LUCCHESI et al.(1986) relatam suas pesquisas em Monte Azul Paulista.SP. que a aplicação foliar de enxofre e sulfato de zinco realizada em 29/01/85, no pico de ocorrência do fungo entomógeno Aschersonia aleyrodis não afetou a população e crescimento desse fungo benéfico, tendo reduzido eficientemente a cochonilha pardinha S. articulatus .
· FAUVEEL et al (1987) estudaram a influência do enxofre sobre a evolução da população de ácaros fitófagos e predadores em pomar de maçã no sudoeste da França. Relatam que o enxôfre não foi tóxico para os ácaros fitoseídeos.
· DUVERNEY(1987) observou com enxofre em pó, em macieira, resultados que permitiram por em dúvida a noção de toxicidade atribuida ao enxofre sobre o ácaro fitoseídeo Typhiodromus pyri.
· KOMATSU & NAKANO(1988) demonstraram que o enxofre a 80% na dosagem de 80 g/100 l, não afetou o ácaro predador Euseius concordis (importante para citros).
· GRAVENA(1990)relata que multiplas aplicações de enxofre por ano pode causar surtos de cochonilhas e ácaros vermelhos, entretanto afirma que o enxofre é seletivo para joaninhas e crisopídeos. Efeito contrário tem os piretróides fenpropathrin pela alta toxicidade de choque e efeito residual sobre as joaninhas e o ácaro fitoseídeos Euseius citrifolius.
· NAKANO (1990) afirma que o enxofre atua apenas sobre os fungos de superfície como o oídio, enquanto que os fungos entomopatogênicos que vivem sob as cochonilhas com carapaça, alojando-se sob as mesmas, não são atingidas por esse acaricida-fungicida.
· BUSSOLI & SALA(1992) em tratamento com 2 a 6 aplicações/ano de enxofre em laranjeiras e limoeiros, obteve as seguintes conclusões:
a) Não houve qualquer indício de desequilíbrio de cochonilha pardinha Selenaspidus articulatus presente nos 3 experimentos com enxofre.
b) O enxofre não impediu a incidência de fungos entomopatogênicos que infestava a cochonilhas farinha Unaspis citri no pomar de limão, mesmo no tratamento de 6 aplicações/ano.
c)Não foi observada influência do enxofre sobre a população de ácaros fitoseídeos.
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