PÓS-COLHEITA DE FRUTAS E HORTALIÇAS
Angelo Pedro Jacomino, Prof. Dr.
ESALQ/USP - Depto. Produção Vegetal
Fone:(19) 429.4190; Fax:(19) 429.4385
E-mail: jacomino@carpa.ciagri.usp.br
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O Brasil ocupa a posição de segundo produtor mundial de frutas com volume de aproximadamente 35 milhões de toneladas por ano. Produz também, cerca de 11 milhões de toneladas de hortaliças, o que equivale a soma das produções da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Entretanto, grande parte deste total não chega à mesa do consumidor.
Infelizmente, não se dispõe ainda de dados estatísticos confiáveis com relação às perdas de frutas e hortaliças na fase de pós-colheita, mas algumas estimativas nos dão idéia de que estes números são bastante altos. Alguns trabalhos em nível internacional, citam valores de 20 a 80% de perdas pós-colheita, para diversas frutas e hortaliças produzidas nos países em desenvolvimento. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas as perdas em pós-colheita no Brasil variam de 15% para laranja e cebola a 40% para banana, abacate e tomate, por exemplo.

Um trabalho recente, realizado pelo Instituto de Economia Agrícola avaliando as perdas durante a comercialização, na cidade de São Paulo, revelou dados surpreendentes. Segundo esta pesquisa, o volume de perdas para frutas, no segmento varejista totaliza 80.340 toneladas por ano, o que representa 10,4% do total comercializado naquela cidade e equivale a R$ 55,77 milhões Se juntarmos às perdas referentes a comercialização de hortaliças, o volume chega a 154.130 toneladas o que equivale a R$ 106,29 milhões.

As perdas ocorrem em toda a cadeia produtiva, desde o produtor até o consumidor final. As perdas na unidade de produção podem ser tanto devidas a produtos danificados, defeituosos, fora de padrão, como devido à falta de planejamento da produção. Em espécies com sazonalidade de produção é comum perdas elevadas devido a dificuldade de comercialização.
As maiores perdas, entretanto, ocorrem durante a comercialização e são devidas principalmente a embalagem, manuseio e transporte inadequados, técnicas de conservação incipientes, falta de seleção e padronização, entre outros fatores.

A questão é bastante complexa, envolve os diversos elos da cadeia hortícola e exige solução urgente.
As embalagens utilizadas no Brasil são na sua maioria inadequadas, e associadas ao transporte a longas distâncias em veículos também impróprios, resultam em elevadas perdas por danos mecânicos. Soma-se a este fato, o descaso com que as frutas e hortaliças são normalmente tratadas durante o manuseio, sem os cuidados necessários para evitar danos.
A quase totalidade das frutas e hortaliças nacionais são transportadas e comercializadas em temperatura ambiente, que por vezes é bastante alta.

A refrigeração tem importante papel na diminuição da taxa respiratória e consequente aumento na vida útil do produto. À refrigeração pode-se também associar o uso de embalagens capazes de modificar a atmosfera ao redor do produto, contribuindo para manter por mais tempo seu aspecto de frescor, bem como suas características nutricionais.
A falta de seleção e padronização leva à comercialização conjunta de frutas de diferentes tamanhos, estádios de maturação e condições de sanidade, depreciando a qualidade do lote e concorrendo para aumentar as perdas.
A adoção de técnicas visando minimizar tais problemas normalmente implica em algum aumento de custos. Entretanto, na maioria dos casos, somente a diminuição nas perdas compensará a adoção de tais práticas. Há de se considerar ainda, o ganho significativo na qualidade final do produto, que certamente implicará em melhor remuneração do produtor.

A melhoria na eficiência de produção e na qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor, são processos que vêm ganhando tônica nos últimos anos nos diversos setores da economia (indústria, comércio, prestação de serviços, etc) e precisam ser encampados também pela agricultura. Não podemos esquecer que a internacionalização da economia e a consequente facilitação das importações tem permitido a entrada de frutas para consumo in natura com qualidade superior àquelas que produzimos (ao menos na aparência) e muitas vezes por preços compensativos ao consumidor. Isto sem falar das hortaliças congeladas, semi-prontas para consumo. Precisamos ter em mente que se não melhorarmos a qualidade das frutas e hortaliças que oferecemos, não somente ficaremos alijados dos mercados internacionais, como também correremos sérios riscos de perder espaço no próprio mercado interno.

Palestra do Seminário Intern. de Qualidade Tipo Exportação -HORTIFRUTI